Textos de Fernando Pessoa sobre Arte




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Sinopse:

Fernando Pessoa é conhecido geralmente como poeta e escritor, mas foi também um grande ensaísta, e nos seus textos de ensaio existem muitos textos sobre arte, que são pouco conhecidos do grande público e mesmo do público académico. Este livro consiste numa antologia dos textos que Fernando Pessoa escreveu especificamente sobre arte, por vezes associados também a algumas reflexões sobre literatura. Trata-se de uma antologia inédita, dado que é a primeira vez que é publicada uma antologia de textos de Fernando Pessoa focada no tema da arte. Organizámos esses textos através de diversos capítulos: a divisão e a classificação das artes, a definição e a caracterização da arte, a finalidade e o valor da arte, a psicologia da arte, a sociologia da arte, a crítica de arte, o artista, a genialidade, a celebridade, a arte e a moral, as escolas e correntes artísticas. ¶ Este livro contém também algumas das muitas obras do artista plástico António Canau, por um lado como exemplificação de obras de arte, e por outro devido ao facto de haver neste artista relações com a obra de Fernando Pessoa, nomeadamente as figuras de animais antropomórficos, ou de seres humanos animais, que se relacionam com a tese de Fernando Pessoa sobre a organicidade da obra de arte, comparando-a a um animal. Há também em António Canau uma forte ligação aos mitos, ao oculto e à Grécia antiga, como em Fernando Pessoa. Com as obras de arte de António Canau somos conduzidos a uma espécie de cosmogonia, a uma evocação de um passado ancestral mágico, a uma espécie de regresso às origens do Homem, telúricas e culturais. ¶ Outra característica a salientar em António Canau, relacionando-a com Fernando Pessoa, é a ligação da metamorfose, que é central na obra de António Canau, com a heteronímia, que é central na obra de Fernando Pessoa. A palavra “metamorfose”, em sentido figurado significa: alteração da personalidade, da identidade e do modo de pensar. Ora, a metamorfose, na obra artística de António Canau, é uma forma de despersonalização, e por outro lado a despersonalização, nos heterónimos de Fernando Pessoa, é uma forma de metamorfose.

Índice:

PREFÁCIO

1) – DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS ARTES
– Classificação das artes
– Polémica entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos quanto à classificação das artes
– A música é apenas a forma subtilizada das artes de comunicação social

2) – DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ARTE
– Manifesto – princípios gerais
– Ensaio sobre a disciplina
– Introdução à Estética
– A arte é a notação nítida de uma impressão errada
– Toda a arte é sobreposição às coisas
– Manifesto
– Arte – idealização
– A arte consiste na organização ideal da matéria
– O critério da perspicuidade
– Objetar-se-á, sem dúvida
– Não repararam na natureza da arte
– Toda a arte é uma forma de literatura
– Athena
– Apontamentos para uma estética não aristotélica

3) – FINALIDADE E VALOR DA ARTE
– A arte não tem, para o artista, fim social
– Mas, perguntar-se-á talvez
– O valor essencial da arte está em ela ser o indício
– A arte dá-nos, não a vida com beleza
– O fim da arte inferior é agradar
– Há as artes cujo fim é entreter
– Tornar o útil agradável
– Que essa arte não é feita para o povo?
– A arte existe, não como quer Campos, para substituir a vida
– O fim da arte é imitar perfeitamente a Natureza
– A obra de arte é primeiro obra, depois obra de arte

4) – PSICOLOGIA DA ARTE
– A obra de arte é produção do instinto
– A base de toda a arte é a sensação
– A vida consiste no equilíbrio de duas forças
– O Homem é um animal irracional
– Um grande artista nota-se aplicando-lhe a seguinte pergunta crítica
– A obra de arte, fundamentalmente
– Sobre Octávio
– A imoralidade das biografias
– Degenerescência e arte
– O essencial em arte

5) – SOCIOLOGIA DA ARTE
– O problema da sobrevivência
– Relação entre a arte moderna e a vida moderna
– O génio é uma anormalidade representativa de correntes sociais
– A causação económica

6) – A CRÍTICA DE ARTE
– Balança de Minerva
– Nas épocas de passagem das sociedades
– Um dos erros mais graves

7) – O ARTISTA
– Os três géneros de artistas
– As três qualidades fundamentais do artista
– O artista tem de nascer belo e elegante
– O artista pode não ser inteligente, mas deve ser intelectual

8) – A GENIALIDADE
– O homem de génio é um intuitivo
– O génio é anormal
– Pode admitir-se que o génio não seja apreciado na época em que surge
– Ocorre imediatamente perguntar como é que o génio chega, afinal, a ser apreciado
– A primeira distinção que o crítico deve aprender a intuir

9) – A CELEBRIDADE
– Poderia supor-se que a presença no mesmo homem
– Algumas obras morrem por não terem mérito
– É mais difícil asseverar o que sobreviverá pela sua representatividade
– Os Virgílios mais nobres não têm Mecenas

10) – A ARTE E A MORAL
– A questão da arte moral ou imoral
– Este problema da arte imoral
– As relações entre a arte e a moral
– A arte suprema tem por fim libertar
– A arte e a sensualidade
– O poema Antínoo
– Elogio dos castos, dos pederastas e dos masturbadores
– A verdade acerca de homens como Shaw
– A moral tem duas formas, uma inferior e instintiva, outra superior e racional
– António Botto e o ideal estético em Portugal
– António Botto e o ideal estético criador
– Sobre a novela António
– Ideal estético

11) – ESCOLAS E CORRENTES ARTÍSTICAS
– A arte grega
– A arte do Cristianismo
– A arte da Renascença
– A arte moderna
– O romantismo
– O neoclassicismo e o romantismo
– O realismo e o romantismo
– Correntes artísticas e decadentismo
– O futurismo
– O sensacionismo
– O vertiginismo e o intersecionismo

12) – TEXTOS DO LIVRO DO DESASSOSSEGO
– Que é a arte senão a negação da Vida?
– A arte é um esquivar-se a agir
– O mundo, no qual nascemos
– A arte consiste em fazer os outros sentir
– A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos
– O mundo é de quem não sente
– A sublimidade de desperdiçar uma vida
– A procura da verdade
– É legítima toda a violação da lei moral que é feita em obediência a uma lei moral superior
– Mais do que outras artes, são a literatura e a música

BIBLIOGRAFIA


* * * * *


AUTORES:

VICTOR CORREIA frequentou a Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma (formação em Filosofia). Frequentou também o curso de piano, durante alguns anos, na Escola de Música de São Teotónio, em Coimbra. Concluiu a licenciatura em Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é pós-graduado em Formação Educacional, na mesma Faculdade, e tem o Mestrado em Estética e Filosofia da Arte, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (formações obtidas antes do Processo de Bolonha). É doutorado em Filosofia Política e Jurídica, na Universidade da Sorbonne, em Paris, onde foi orientado pelo filósofo francês Yves Charles Zarka. É pós-doutorado em Ética e Filosofia Política, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem exercido funções de docência na sua área de formação, e tem organizado e apresentado comunicações em várias conferências. É membro de algumas associações científicas e culturais. Tem publicado diversos artigos em jornais, e em revistas nacionais e internacionais. Tem também mais de vinte livros publicados, em várias editoras, sobre diversos temas.

ANTÓNIO CANAU fez o curso de Artes Gráficas na Escola Artística António Arroio, em Lisboa. Licenciou-se em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Fez o Mestrado em Belas Artes - Master of Arts in Fine Art, Printmaking (gravura), na Slade School of Fine Art da University College, em Londres. Fez o doutoramento e o pós-doutoramento na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, onde é professor, assim como também é professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Faz parte de centros de investigação, tem sido conferencista e curador. Foi membro do Conselho Técnico da Sociedade Nacional de Belas Artes entre 2015 e 2017. Participou em muitas exposições individuais e coletivas, nacionais e internacionais. Recebeu diversos prémios nacionais e internacionais. A sua obra está representada em diversas coleções públicas e privadas, em coleções nacionais como por exemplo na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e em coleções internacionais como por exemplo no British Museum, em Londres. Desenvolve atividade artística em escultura, medalha-objeto, desenho, gravura, fotografia, e livros de artista. É Membro do Grupo Anverso/Reverso de Medalha Contemporânea.

Detalhes:

Ano: 2022
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 232
Formato: 23x16
ISBN: 9789895662050
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