Crónicas do Bar dos Canalhas




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Coordenação: Eduardo Águaboa (pseud.)

Sinopse:

(…) Surge-nos agora não a solo, antes acompanhado por 25 contadores de histórias, todas com um denominador comum, o Bar dos Canalhas – não se assuste o leitor, porque o nome, por exemplo nas palavras de Cristina Torrão, como terá oportunidade de constatar, «tem mais a ver com a afeição que se lhe vota» –, a partir do qual são construídas múltiplas paisagens sociais e humanas, cada uma contada com a sensibilidade de quem a escreve. ¶ De entre muitas, essa é uma das riquezas maiores desta obra que nos leva além-fronteiras, do Brasil à Índia, sem pudores – não espere encontrar um travão nas palavras, despidas de preconceitos, provocadoras e muitas vezes a aguçar pensamentos mais, digamos, palpitantes –, «a cada ponto final fazendo-nos desejar novo parágrafo», embalando-nos para nova montanha russa de emoções. E reflexões. Sobre o que somos, sobre a vida e os seus efémeros momentos de felicidade que a podem tornar tão aparentemente, ou não…, curta. (…) [Nuno Saraiva Santos – Jornalista] ¶¶ No Bar dos Canalhas entra-se meio devoto, meio mágico, a farejar a angústia do encontro. ¶ No Bar dos Canalhas ama-se o que temos de paz e de selvagem. ¶ No Bar dos Canalhas o amanhã é dos loucos de hoje e a loucura finge que tudo isso é natural. ¶ No Bar dos Canalhas, todas as palavras têm pronúncia que devem ser cantadas. Elas vestem-nos e a música despe-nos. ¶ No Bar dos Canalhas gosta-se de se passar por parvo… entusiasmamo-nos… entoa-se «gosto de ti» com todas as letras e com o coração fora do sítio. ¶ No Bar dos Canalhas cumpre-se menos do que se promete, mas o mérito é indiscutível. ¶ No Bar dos Canalhas uma máscara dissimula-nos e revela-nos que há beijos que se dão que já vêem traduzidos. ¶ No Bar dos Canalhas uma noite pode ter várias madrugadas a queimarem-nos amarguras. ¶ No Bar dos Canalhas há sempre uma epidemia de gajas boas e rapazes jeitosos e isso livra-nos de tormentos. ¶ No Bar dos Canalhas, que fica junto ao mar, jamais se pede cedo para nos indicarem a saída, pois do Bar dos Canalhas só se sai devastado para o que nos apetece. ¶ Não há Canalha que não goste do Bar que é admiravelmente verboso e tem aromas de Roma, Paris, Luanda, Rio de Janeiro, Lisboa, Porto, também tem um pouco de Claúdio, um nadinha de Calígula e um poucochinho de Paulo Portas. ¶ O Bar dos Canalhas é o pícaro português em versão crioula. ¶ No Bar dos Canalhas, onde se vive do que se ouve dos outros, passa--se de tudo e tudo é captado como que por radares, essas grandes orelhas da humanidade. ¶ No Bar dos Canalhas numa mesa, num banco, haverá algures sempre alguém que toca a nossa vida ou virá a tocar. ¶ Há gente que frequenta o Bar dos Canalhas e paga para ouvir louvores, ou seja, puras mentiras. ¶ No Bar dos Canalhas, embora permanentemente sujeito aos ataques da ira, reina a ironia. ¶ Daí que, quando não se sabe para onde se vai, todos os caminhos es-tão errados, excepto os que levam ao Bar dos Canalhas. ¶ Bar dos Canalhas; Oh meu amor, meu cachecol! – lê-se no tecto. ¶ E agora a parte mais bonita e simples: ¶ Já que trocar os passos no Bar dos Canalhas pode também significar tropeçar numa saudade hesitante, daquelas que não sabem se hão-de ficar ou bazar, o seu patriótico ambiente, seja ele visto como selvagem e reles ou aprimorado e elegante, permite-nos alguma esperança, mesmo que através de métodos nem sempre os mais hábeis. ¶ Então, quando os estimáveis leitores forem ao Bar dos Canalhas, to-dos os autores, esperando que esta Obra indisciplinada vos agrade, pedem-vos que por lá sonhem um sonho por nós… ¶ Porque é à noite que os canalhas dos escritores decifram. [Eduardo Águaboa]

Índice:

Prefácio (Nuno Saraiva Santos / Jornalista)
Intróito: Bar dos Canalhas – sendo embriagante convém lê-lo sóbrio
O Grego e a Meretriz Nigeriana que Citava Churchill (Luís Fernando / Luanda, Angola)
O Critério de Lena (Marcio Alves Candoso)
Bebendo, uma a uma, Todas as Aflições (Sóira Celestino / São Paulo, Brasil)
Mulheres também Frequentam Bares (Edson Nuno a.k.a Edy Lobo /
Luanda, Angola)
A Paullete faz Anos e eu Pickles
Vinho, Ancas e Canalhas (Sonia Rodrigues / Bombaím, Índia)
C’est si Beaux
Iolanda (Cristina Torrão / Stade, Alemanha)
Foi, Neruda?
1974 – O Bar dos Canalhas e os seus Clientes e o Regresso às Vacas (José Bento Amaro)
Comemoração Zen
Carta à Minha Concubina (Edson Nuno a.k.a Edy Lobo / Luanda, Angola)
Et Bien, Je T’aime
Amor Improvável ou nem Tanto Assim: o Cliente tem Sempre Razão! (Luís Fernando / Luanda, Angola)
Uma Garrafa de Vinho para Deus
O «Desamante» (Fernando Sousa Silva / Lisboa)
O Mar Estava a Ressonar
Menti, com toda a Ira da verdade! (Rita Anjos / Sintra)
Doi-me Tanto Quando te Beijo
Este bar era sábado, Caberê (Claudinei Vieira / São Paulo, Brasil)
Saia uma Imperial
Sou as Minhas Ruínas
O Bar dos Plátanos à Esquina (Victor Burity da Silva / Luanda, Angola)
Pode Dançar-se Sentado?
Pago as Rodadas Seguintes (Luís Altério / Bahia, Brasil)
E Lá se Foi um Destino
Molham-se Palavras (Sónia Trigueirão / Lisboa)
5 de Outubro por Shakespeare de Odivelas
Mais Guerra e mais Paz (José Manuel Marques)
Sigmund Zen
Os Anjos Podem ser Demónios (Sónia Trigueirão / Lisboa)
Beijar-te Isto e Aquilo
Tanto Mar, Tanto Bar... (Alice Coelho)
Adeus Gadeza, Olá Lisboa (José Bento Amaro)
Levaram-nas aos Fados
Diário Alemão
Doem-me as Palavras
Canalhas, mas Nem Tanto (Onélio Santiago / Angola)
Coisas do Calor
Segredos aos Setenta (Luís Fernando / Luanda, Angola)
Vermelho de Anjo, meus Sapatos Malandros! (Rita Anjos)
Coisas tão Giras que não Cabem Nelas
Sonhos Molhados (Mãe dos Setinhos / Luanda, Angola)
E se, de Repente, o Mundo se Acabasse? (Hilton Fortuna Daniel / Luanda, Angola)
Eis-me Fins do Lago
O Barracão (Cristina Torrão / Stade, Alemanha)
O Verbo e o Semblante (Pedro Valdágua / Paris)
Em Três Actos
Dois Dedos de Uísque e um Golo de Éder (Hilton Fortuna Daniel / Luanda, Angola)
O Dia em que o «Diabo» Visitou o Bar (Onélio Santiago / Angola)
À Boa Maneira Portuguesa, Tudo se Resolve à Mesa (Miguel Marques / Lisboa)
Todo Esse Céu
Ai Vizinho Bonitão (Mesa de Snooker) (Mãe dos Setinhos / Luanda, Angola)
Dias Insanos
Canalhices (Yánnis Argyros / Atenas, Grécia)
Canalhice com Canalhice se Paga (Giovanni Argento / Roma, Itália)
Ver Rosas num Jardim de Coca
É Tão bom Estar Lá (António Vaz)
Mandato de Sobrevivência, Meu Coração de Sangue! (Rita Anjos)
Glória… Ó Glóriaaaa…
São Assim, os Homens
Safadas, Dai-me Vinho
Pois é, Pois é, Jéjé
A Dança do Avacalho
Bacalhau com Nada (Nem Bacalhau nem Nada) (Mãe dos Setinhos / Luanda, Angola)
Carnavalville
A Noite Abriu-me os Olhos
Errar, é Muito Feminino
Go Home América
És Tão Igual a Eu
Nas Entrelinhas… ou Será Estrelinhas?
Nós Cegos
Estava Doido o Ladrão do Mosquito
Carlinhos, o Charmoso
Au Revoir
Amor de Marginais
Andar aos Papéis
Canção Zen
Carta ao Meu Aniversário
Conversas de Papel
Le Roi Soleil (versão portuguesa)
Rios Zen
Oh Crónicas! Oh Coisas!
Um Bebé na Palma da Mão
Valsa da Solidão
Prefiro o Enfezado Mar de Carcavelos
Cavalheiro Precisa...
Dies Dat Ut Insanis
Costurar Feridas
Compadre Kwanza – Compadre Tejo (Hilton Fortuna Daniel / Luanda, Angola)
O Trauma do Era uma Vez
Epifania
Credo Quia Absurdus Sum
Bom de Bola
Até ao Próximo Copo

Detalhes:

Ano: 2017
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 236
Formato: 23x16
ISBN: 978-989-689-649-2
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