Luena. Luanda. Lisboa

Fala de Maria Benta




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Sinopse:

A província do Moxico e a cidade de Luanda viajam com Namúia, agora a Avó Benta, para Lisboa, Mputuville, onde consegue instalar-se com o neto num apartamento perto da Avenida de Roma. Visitar a convivência larga dessa família no final da década de oitenta, que apesar dos processos históricos violentos e do barramento dos racismos continua a avançar abraçando a vida, é o convite desta ficção. O ritmo e a comida são a túnica e o bordão para a viagem. Aos domingos principalmente. **************************** TRECHOS: em Maria Benta****** Da terceira vez que chegou, colocou entre as folhas do passaporte, o bilhete de identidade, caducado só na História, ela aí a espreitar, vijutinha, antecipando um qualquer desconcerto dele, mas nada. O funcionário devolveu o velho BI logo-logo, e oscilando a cabeça entre a fotografia do passaporte e a sua cara, perguntou: - Qual é o motivo da sua visita? E toca a passar a porta da portela, muxoxo engolido, esse estalo de língua com dente sim, saliva dentro, evitado o som para não fazer malcriação ali, uma senhora tão composta.******************** em Antoine ****** Como chegou não lhe interessa nada, uma vez que repetiu a estória com pistolinhas de fita vezes sem conta antes de adormecer assim: o cobói caminha sozinho, ninguém na rua, só poeira, o silêncio que comanda o medo, escondidos os olhos dos habitantes pressentem-se, bem resguardados eles, olha só esse aí à espreita… e a música a avisar, insinua-se já devagarinho agora cresce cresce, o cobói ali sozinho quase pára, toda a gente no cinema a saber que ele ia ser atacado a qualquer momento. E o inimigo aparece súbito sem ruído, aí mesmo a trás dele e então, logo-logo antes do tiro, aquele estouro ainda, alguém tão desesperado, ali no seu lado sim, grita aflito: - Olha só na tua trás! Que susto!******** em Ana Maria ****** Cobras e jacarés surgem lados novos. Ninguém que lhes come já. Predadores fugiram, morreram. Milhafres, águias, só abutres voltam já para comer pessoas. Mortos mesmo debaixo daquela mangueira. Homens enterrados dias e dias na areia. Estes vivos esperam ordem. Atacar. Sofrer ataque. Enterrados. Moscas verde e azuis. Ficam sim. É que têm que matar. Vitória ou morte, não há três.

Índice:

A AUTORA:
Branca Clara das Neves (pseudónimo) nasceu na província do Moxico em Angola, e continuou a crescer em Luanda onde iniciou a sua vida profissional na Missão de São Paulo. Formou-se no Magistério Primário, na Faculdade de Economia, pós-graduou-se em Relações Internacionais. Exerceu o magistério no ensino primário, na educação de adultos e na universidade. Foi consultora e liderou projectos e acções de formação em Lisboa, Luanda, Bissau, cidade de São Tomé, Maputo e cidade da Praia. Escreve desde que aprendeu e regressa lá sempre que pode. Esta é a sua primeira ficção publicada.

Detalhes:

Ano: 2014
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 124
Formato: 14,5x20,5
ISBN: 978-989-689-409-2
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