Voltam Alegres os Tristes

Poemas adversos




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Autoria: Manuel Barreiro
Temas: Poesia

Sinopse:

(...) Escrita de profundidade consistente, de um modo adulto no trampolim da reflexão, a querer agarrar na vivência humana o sentido do transcendente e na inconformidade dos actos a desconstrução do pensamento que conduziu ao caos da mediania. Depois há “o sentir dos suburbanos de mãos dadas aos sem abrigo de quem todos falam, na hipocrisia do acomodamento ignóbil, alimentando errâncias e cinismo baixo, mas que de facto ninguém quer ouvir ou ver por perto”. (...) Luís Rosa, in Prefácio

Índice:

Prefácio

Fogo em roda livre
Atalhos de areia
Na mundividência que tenho e que me tem
Estivesse eu acordado
Ontem foi domingo e partilhamos alegrias
No vazio da vertigem onde navego
O vento de proa
Caminho estreito e curto
Quando as papoilas escondem o joio
As horas para onde há-de fugir o tempo
Charruadas em pousio
Passou a dormir e a sonhar
A realidade em fuga do tempo
A grandeza de quem sofre
Com as emoções alfandegadas no contentor
O saco de plástico da ilusão
Ergue-se o desafio da penumbra
Em água de rosas silvestres
Encostado à montanha da penúria
Acorda pátria, deixa a via-sacra
O mito da imortalidade
Quem te manda a ti, poeta
Viajo pelo meu interior
Na densidade do absurdo absoluto
Pobreza dia a dia acrescentada
A grande guerra dos pequenos mundos
De todas as vezes que o rei
Mantêm as regras mas mudam o jogo
A incerteza dos amanhãs
Ainda espero ver-te, biltre
Conheço o caminho das pedras
O silêncio abre o peito à astúcia
O olhar, o gesto, o grito, o desacerto
Quando em manada ordeira
Desalinhado perdi-me nos pinheirais
Com a força frouxa da razão
Abre a flor do lótus ao sol do meio-dia
Quando no teu rosto inquieto a raiva se planta
Tabu, moral, ética, fobia
Soldados desconhecidos
A estrada não é de quem a fez
Os peixes de águas profundas
Consciência
Veio o chá verde com gengibre
Hoje ninguém lê nas estrelas
Levantada a pedra tudo mexeu
Atado à corda bamba dos afectos
Ando por subterrâneos serôdios
Bem cedo esqueço o que é bom
Não há mais lágrimas de crocodilo
A sofreguidão dos afectos
Troquei o medo pelo medo
Há um plano de contingência
O medo talvez nem tenha cor
Pensar o mundo onde habito
Vendaval transportando a ignorância
O palco, as areias do deserto
O segmento do meu espaço encurta o tempo
Alguém está roubando o tempo
Rasguei as vestes e desnudado
Vai além do acaso
Em luminosas noites tresmalhados
Procuro a segurança quando caminho
Quebrada que foi a ânfora sabina
Pombal do Arunca
Esta nova rota da seda
Voando alto a pomba da paz
Ingénuo, ignorante, pretensioso fui
Vivo na reclusão do meu desprazer
Preocupa-me a fraqueza do homem
Não sei onde estou
Enquanto estou longe de ti, somos dois
Levanto as árvores caiadas
Por detrás das palavras que me escondem
Foi então que os avisados corifeus
Poema salgado
Os primeiros cartarianos em suas andanças
Vede a pétala de rosa esquecida
A ilusão cria o fado, a fuga
Naquela primavera um casal de melros
Entrei na oficina deserta, de pé ante pé
As coisas iam acontecendo sem saber como
A flor do sal
Erro de cálculo
Estávamos sentados na relva junto à fonte
Do alto do teu metro e oitenta e tal
No entroncamento das palavras fáceis
As cinzas quentes da ausência
Aqui não chega o ruído do universo
Eu te ganhei
No céu sempre bem visível, o arco íris
A visão turva do amor ausente
Que horas serão as horas de sempre?
A dor de cabeça me desespera
Há um medo de ser amanhã
Tinha-a comigo e sentia-te
Coberto de verdete
Dentro do horizonte por fora
Amanheço no horizonte das palavras
Apenas cabalísticos sinais

Detalhes:

Ano: 2014
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 120
Formato: 16x23
ISBN: 978‐989‐689‐390‐3
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